O MAIOR DE TODOS

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Edu me fascinava porque era imprevisível, e a improvisação sempre me encantou, me fez entender que viver era muito mais do que seguir as imposições de uma sociedade doente. Ele tinha um corte seco pra direita, uma estilingada pra esquerda e vinha balançando diante do marcador, que ficava apavorado porque não tinha a menor ideia do que aconteceria – pra qual lado Edu sairia?

Uma vez perguntei ao Zé Maria, lateral da Portuguesa e do Corinthians, como era a véspera de um jogo contra o Santos – ele sabia que no dia seguinte teria de marcar Edu. E o Zé, com aquela sinceridade linda dele expressa no olhar, respondeu “eu ia dormir preocupado, pensando em como marcar aquele cara”. No dia seguinte, víamos das arquibancadas embates espetaculares entre os dois – aqui entre nós, o Edu costumava levar vantagem sobre o Zé, mas o lateral do Corinthians tinha tanto vigor físico que às vezes o ponta tinha que vencê-lo duas vezes.

Edu sofreu com alguns marcadores, particularmente com Pablo Forlan (pai de Diego Forlan), que defendeu o São Paulo nos anos 1970. O uruguaio, chamado de “rei da pancada” por alguns adversários, era raçudo, tinha gana de vencer e não permitia que Edu bailasse a sua frente. Mas normalmente era derrotado pela habilidade de um dos gênios do nosso futebol.

Para meus olhos e espírito de quem viveu as décadas de 1960 e 70 com paixão pelo então melhor futebol do mundo, Edu foi o maior ponta esquerda do planeta. Com apenas 16 anos, surpreendeu o país ao ser convocado para defender a seleção brasileira na Copa do Mundo disputada na Inglaterra, em 1966. Três anos depois, foi um dos grandes responsáveis pela classificação do Brasil para a Copa de 1970. Esteve também na Copa de 74, mas foi impedido de mostrar sua genialidade ao mundo porque o técnico Zagallo preferiu Rivellino e Paulo Cézar Lima entre os titulares.

Quem viu Edu em campo, viveu a maravilhosa sensação de compartilhar a beleza da arte do futebol em seu estado mais puro. Viva Edu! ⚽

(série FELIZ ADOLESCÊNCIA)

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