
Minha amiga Débora me pergunta por que escrevo mais sobre o futebol e os jogadores de um tempo que já acabou. A primeira resposta, que se descola de mim imediatamente, é fácil: porque o futebol brasileiro atual não me emociona nem traz grande prazer. Vivo esses dois sentimentos apenas ao assistir a alguns jogos do campeonato inglês e a vários da Liga dos Campeões. E só.
O futebol brasileiro vive um momento medíocre, e isso está durando mais do que o “esperado”. Vejo-o como uma boa reprodução da nossa sociedade atual: um bando de gente desorientada, agressiva e mal-educada, tentando ludibriar o outro pra “se dar bem”, mentindo pra levar vantagem (a simulação dentro de campo é isso).
Nossos jogadores aprendem desde cedo (os “professores” da base os ensinam) a enganar os adversários e os árbitros pra ganhar a qualquer custo. Dane-se a honestidade e a ética. Um exemplo recorrente tem sido a “mão na cara” – a maioria recebe um safanão no peito e desaba com as mãos no rosto. Uma vez no gramado, balança uma das mãos “desesperadamente”, como se um dos olhos tivesse sido furado. Alguns se esmeram na atuação – ao cair, ainda dão uma olhadinha entre os dedos pra ver se o árbitro está vindo pra acudi-lo e mostrar o cartão vermelho ao adversário. É patético, dá vergonha.
Tecnicamente, não vejo ninguém espetacular. A exceção chama-se Estevão, atualmente no futebol inglês. Ele é uma alegria só! Enfrenta o marcador como se estivesse brincando no quintal de casa. Estevão me dá a impressão de que está sempre jogando descalço – carrega dentro de si a alegria da arte do futebol.
Alguns jogadores, exaltados pela mídia, são bons, mas ninguém se descola na manada de boa técnica. Breno Bidon (21) é uma promessa luminosa – se não permitir que a onda do sucesso o afogue, poderá ser um dos nossos craques na Copa de 30.
Então, Deborita, você vai concordar que é muito pouco pra quem cresceu vendo Pelé jogar e identificou a elegância até na corrida. Mas, apesar de hoje, nutro a esperança de que logo entenderemos que a força do nosso futebol estará sempre na arte dos pés descalços – isso, nenhuma chuteira, por mais leve que seja, consegue alcançar. ⚽
(Publicado em 01/02/2026)
