O CÉREBRO DELES

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Muitos torcedores do Santos ficaram na bronca com Neymar. Ele foi à Sapucaí, mas não enfrentou o Corinthians, no jogo mais importante do Peixe até aqui, neste 2025 – estava com um desconforto na coxa. E me fez lembrar um episódio vivido por Sócrates.

No final de abril de 1984, o Corinthians se classificou para as quartas de final do Campeonato Brasileiro. O adversário era o forte Flamengo, então tricampeão da competição (1980/82/83).

Sócrates, de folga, decidiu participar de um jogo beneficente em Ribeirão Preto, cidade onde apareceu para o futebol. Na época, o Timão vivia a experiência inédita e libertária da Democracia Corinthiana, em que os jogadores tinham enorme poder de decisão sobre as questões diretamente ligadas a eles.

Tudo ia bem até o momento em que o Doutor arriscou um chute e sentiu uma fisgada na coxa. Estiramento muscular. Os médicos o examinaram e determinaram: duas semanas pra se recuperar – o jogo contra o Flamengo seria em 6 dias. Os torcedores corintianos se enfureceram – a maioria considerou uma grande irresponsabilidade do seu principal jogador.

O Corinthians enfrentou o Flamengo sem Sócrates e perdeu por 2×0, no Rio. O jogo da volta seria no Morumbi, 7 dias mais tarde. Magrão lutou e seguiu as orientações médicas à risca, pois se sentia em débito com a nação corintiana. E, mesmo sem estar em perfeitas condições e precisando de pelo menos mais uma semana de tratamento, entrou em campo e ajudou o Corinthians a afundar o Rubro-Negro, numa das maiores exibições do time de Wladimir, Juninho, Biro-Biro, Casagrande, Ataliba, Zenon e Eduardo Amorim, diante de 115 mil pessoas: 4×1.

Depois do jogo, Sócrates foi saudado pela Fiel. E continuou o tratamento. O Corinthians estava na semifinal.

Tenho muitas saudades dos jogadores que usavam a cabeça pra pensar. ⚽️

(Texto publicado no Instagram em 10/03/2025)

Obs: a faixa na testa de Sócrates diz “O México segue de pé”, em alusão ao terremoto que sacudiu a Cidade do México, em 19/09/1985, nove meses antes do início da Copa do Mundo que o país sediaria.

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